Canção à poeira

Canção à poeira na exposição ECO OCÊ, no Quase Espaço. Fotografia de Estúdio em Obra.
Canção à poeira, projeto idealizado por Luana Lorena, investiga o tempo das memórias através da fotografia. A partir da digitalização minuciosa de materiais fotográficos analógicos de 11 famílias, a proposta é refletir sobre traduções possíveis para as histórias e os silêncios que essas fotografias contam. O trabalho se desenvolve na prosa compartilhada com os interlocutores desses acervos: é desse diálogo que nasce o compasso para a tradução das fotografias analógicas em arquivos digitais.
Lorena propõe possibilidades de preservação para essas fotografias que, muitas vezes, fazem morada em caixas de sapato esquecidas em alguma prateleira, sugerindo uma conversa sobre o envelhecimento da memória. Na tessitura afetiva que se pronuncia — ou se silencia — nas chamadas “memórias íntimas”, algo mais largo se enuncia: a memória é um campo de disputa, e aquilo que está empoeirado também pode guardar novas canções.
Fruto de três anos de pesquisa, este livro é a conjugação e a composição das memórias que atravessam Canção, propondo-lhes uma nova sintaxe.
Canção à poeira está disponível para consulta na Biblioteca de Fotografia do Instituto Moreira Salles (IMS), em São Paulo.
2024 | Exposição ECO OCÊ, no Quase Espaço, com o livro Canção à poeira
2024 | Finalista do Prêmio Lovely House, do Festival Imaginária
2024 | Selecionado para a Ronda de Publicaciones, do Festival Imaginária (São Paulo) com o Centro de Estudios Fotográficos (Córdoba)
2024 | Selecionado para a Mostra de fotolivros do Festival de Fotografia Mulheres Luz
2024 | Selecionado na Convocatória de Fotolivros 2024 do Festival ZUM, realizado pela Revista ZUM do Instituto Moreira Salles
2024 | Selecionado na Convocatória de Maquetes do Solar Foto Festival
2025 | Mostra de Fotolivros ZUM/IMS no Festival de Fotografia de Tiradentes

Ao traduzir estes momentos, a artista nos conduz a andar pela linha tênue que separa o que é público e íntimo nas fotografias familiares. Quando nos depararmos com um colo sem rosto, mãos que colhem flores ou uma criança no canto de uma parede, nos vemos diante de um fragmento de mundo que compreendemos apenas parcialmente, uma fresta de memória que as famílias escolheram compartilhar com o outro. Essa exposição se contrapõe com o silêncio do que as mesmas pessoas preferiram reservar para si – ou mesmo para um ato de apagamento. Luana dá atenção ao visível e o invisível. Seu fotolivro é também um trabalho de escuta.
Rafaela Kawasaki, sobre Canção à poeira
Em Se eu interpretar uma fotografia, para a Revista ZUM
Canção à poeira, um livro de Luana Lorena.
Vídeo de Mayra Azzi, acompanhado de Ao Que Vai Nascer, composição de Milton Nascimento e Fernando Brant, na voz de Milton.

